Andanças fora de prazo

Quatro horas da tarde, o relógio apita. É hora de ir para casa. O garoto sai do trabalho e percebe que de todos os lugares no mundo, o único em que não gostaria de estar é em casa, assombrado por seus maiores medos. Embaixo da cama, um monstro de três metros de altura: a solidão. Sobre cada objeto, o sangue do herói: a amargura. Junto à janela, uma trilha sonora arrepiante: a tristeza.

O garoto lembra de seu filme de terror caseiro e suspira. Um daqueles suspiros longos, cansados, de dar dó. O colega pergunta se está estressado ou triste. “Não, é só dor de cabeça”, responde. Pega a mochila pesada, abaixa a cabeça e sai andando, com o peso do mundo nas costas.

Sobre o menino

Não é um homem e nem mesmo um jovem. É só um menino assustado, que daria tudo para se esconder debaixo da cama ou deitar no colo da mãe nos momentos em que sente medo. E ele sente medo o tempo todo.

Tem medo de altura, muito medo mesmo. Não é um simples medo de voar de avião ou pular de para-quedas, mas uma fobia intensa até mesmo quando sobe em passarelas para atravessar a rua ou entra em apartamentos que ficam acima do quinto andar. Morre um pouquinho todos os dias quando tem que passar pela passarela para pegar o ônibus até o trabalho, mas ele vai vivendo e tentando combater tudo isso (sem muito sucesso).

O silêncio

Cresci pensando que podia ser e fazer tudo aquilo que queria. Pelo menos era o que meus pais e os filmes falavam, com suas histórias dramáticas de superação. Os anos vieram recheados por sonhos agradáveis, mas tudo o que percebi foi uma sociedade suja, repulsiva, pronta para frustrar as vontades de todos aqueles que desejam mais do que deviam.

Sonhos. Malditos sonhos, já cansei de todos eles. Você passa tanto tempo nutrindo sonhos em sua mente, sem nunca poder alcança-los, sem nunca ter a chance de realiza-los. E ainda precisa ouvir que buscar por eles é algo necessário. Estou cansado disso, mesmo que nunca aprenda a lição.

Em meio à crise

Volta e meia apareço por aqui para relatar minhas crises existenciais, divagando sobre dúvidas, medos e aflições em relação à vida. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que nada sei sobre o que quero. Não sou pedante a ponto de me achar o diferentão e o único a ter esse tipo de pensamento, mas chega a ser claustrofóbico essa inconstância de pensamento. Vamos às minhas últimas reflexões sobre o tema.

As aulas da faculdade voltaram há pouco mais de um mês, e como sempre, o sentimento na hora do retorno foi o mesmo que pular de um despenhadeiro. O que percebo com cada vez mais intensidade é minha aversão por fins, somado ao medo tremendo de iniciar novas ações. Acho que 90% da população sofre da mesma mazela, mas claramente estou incluído no grupo dos retardatários que perdem noites de sono pensando no assunto.

O blog

Estou sentado na varanda da fazenda da família, no fim das comemorações de Ano Novo. O sol acabou de se pôr no horizonte, trazendo aquele frio brando e característico das noites em meio a natureza, mesmo com o forte calor que durou por todo o dia. Meus pais, irmão, tios e primos estão sentados na varanda em cadeiras e poltronas, conversando e trocando histórias, reclamado de tempos em tempos por eu estar no canto mais afastado escrevendo no notebook. Dou um sorriso amarelo, balanço a cabeça em concordância, e continuo escrevendo sem me importar.

Meus pensamentos estão longe, bem longe, alcançando este blog que nem posso acessar neste momento. A internet não existe na fazenda e já vou escrevendo adiantado para o dia seguinte, quando poderei postar. Só para constar, estou escrevendo no sábado, dia 2 de janeiro, e postarei no domingo (no caso, hoje). Uma seleção de músicas dos anos 80 começa a tocar no pequeno som da família. Eu aumento o volume das minhas músicas e abaixo a cabeça, continuando a escrever e tentando não prestar atenção em todo esse movimento.

Começos de ano são sempre iguais. Sempre existem diversos sonhos prometidos, aquela vontade de fazer algo diferente, metas que dificilmente serão cumpridas. Eu, pelo menos, já tive minha cota de sonhos, promessas e listas de coisas a fazer nesta época, sempre feitas pela metade ou nem mesmo iniciadas. Mas um desejo surge, um item em uma lista sem outras coisas para cumprir: assiduidade neste blog.

Sempre me perguntei o que leva um blog a fazer sucesso. Vejo tanta gente com blogs literários, sobre cinema, moda, música ou histórias do cotidiano, blogs temáticos e com fãs fervorosos. Ao iniciar este blog, o que desejava era justamente fazer um que ganhasse sucesso como tantos que vejo por aí, mas hoje em dia percebo o quanto era uma ideia equivocada e que não desejo nem um pouco alcançar.

Antes de mais nada, não quero me prender a uma editoria, um modelo ou um estilo específico. Adoro livros, mas não quero escrever apenas sobre eles. O mesmo posso dizer sobre filmes ou músicas. Além disso, para que eu possa escrever sobre um determinado filme ou livro, preciso me entusiasmar por ele. E se não aparecerem filmes e livros suficientes para me entusiasmar todas as semanas? E mais essa: quando eu quiser escrever sobre outros assuntos, estarei proibido a fazer isso no meu próprio blog? É algo absurdo de se pensar. Por isso, vou escrevendo o que me der vontade.

Em segundo lugar, sou tímido e digo com toda a certeza: escrevo este blog mais por mim mesmo do que por qualquer outra coisa. Egoísmo? Talvez. Gosto de escrever, quero ter esse hábito sempre, e tudo o que escrevo, antes de mais nada, é como uma construção pessoal. Nem mesmo divulgo o blog, tamanha é minha timidez com meus escritos. O que me deixa feliz são essas pessoas que encontraram meu blog de algum modo e estão sempre por aí, lendo meus textos, comentando e dando o prazer de suas presenças. É, você mesmo que está lendo essa linha, obrigado por estar aqui!

Em 2016 este blog completa 6 anos, e já é uma pequena criança. Quando comecei, eu tinha lá meus 15 anos de idade, querendo encontrar um lugar para publicar meus textos e minhas histórias ridículas, que tanto me faziam feliz na época. Com o tempo, inevitavelmente acabei parando de postar, e assim foram alguns anos sem nada. Até que em 2015 (ano passado), finalmente criei coragem, mudei o layout e passei a publicar com maior frequência. Vamos combinar que ainda procuro meu estilo próprio, minha forma de escrever, a característica própria pela qual quero conduzir o blog. Enquanto não encontro isso, vou conduzindo da melhor forma possível, e fazendo experimentações.

Acho extremamente pretensiosas essas promessas de que "vou postar mais esse ano" ou "esse ano me dedicarei exclusivamente ao blog". Promessas de político, nada mais. O que adianta fazer uma promessa dessas, se escrever vai muito além de mim? Posso ficar sem tempo, sem inspiração, ou coisa parecida. Resolvi tirar no início deste ano uma folga do mundo, de internet, Facebook, whatsapp e tudo isso. Às vezes sou assim e simplesmente preciso de um tempo só para mim. Neste momento, nunca precisei tanto de passar um tempo sozinho, e parece que preciso desse tempo para espairecer a mente. Mas neste momento, ainda assim mantenho um laço: este blog. Não posso prometer que vou postar sempre (minha meta, no caso, é toda semana), mas posso prometer que vou tentar. E o tentar já é o suficiente para mim, e espero que seja o suficiente também para os poucos que me acompanham.

Meus parentes já se esqueceram de mim aqui na fazenda. Alguns foram para a cozinha, outros dançam, outros ainda comem a carne mal passada que acaba de sair da churrasqueira. Acho que já é o suficiente por hoje neste notebook, sozinho e longe das pessoas. O Ano Novo também trouxe uma vontade de calor humano, de querer participar do mundo, de buscar uma interação que quase sempre fujo. Não tenho muita paciência para esse tipo de coisa, mas também pretendo tentar mais a respeito disso. O próximo passo é sentar perto da churrasqueira, ao lado das labaredas que sobem e clareiam a escuridão, e esquecer todo o resto. Parto com um sorriso no rosto.

Lições de um aniversário

Há mais de dois meses atrás eu fazia aniversário, e com ele veio um relato completo do meu dia, logo esquecido nas semanas seguintes. Para não desperdiçar tudo o que escrevi, posto mesmo com um atraso enorme.

Aniversários são complicados. No dia sete de outubro completei 21 anos, e posso dizer que mesmo quase um quarto de século já ser o suficiente para tratar a data como um dia qualquer, ainda assim continuo a aprender e a me surpreender com ela. As vontades de aproveitar o dia o máximo possível e a de sumir completamente brigavam e se engalfinhavam dentro de mim há vários anos, mas em 2015 finalmente posso dizer que experimentei um desses lados de forma verdadeira, o que contribuiu para algumas lições valiosas.

No quesito aniversário, existem dois grupos de pessoas. No primeiro estão as que gostam de comemorar a data pela reunião com os amigos, os presentes ganhados, sair para lugares especiais. Viajar e fazer algo diferente também são fatos presentes na lista, ou até mesmo a chegada de um novo ano de vida e a maturidade que vem com ele. Quem é criança sabe bem o quanto é terrível esperar até o dia de aniversário, contar no calendário até você fazer 10 anos para poder sentar na frente do carro com seus pais, fazer 15 para começar a ir em festas, 18 para poder tirar carteira de motorista, e por aí vai. Nunca ansiei por esses aniversários, sempre me senti totalmente satisfeito com minha idade e sempre tive medo de crescer. Síndrome de Peter Pan? Talvez.

Eu tinha uma tia que certa vez comentou que se chegasse aos 100 anos, sem dúvida iria se suicidar porque não aguentaria viver por tanto tempo. 100 anos é tempo demais. Com essa fala cito o grupo dos que não gostam de aniversários, que acham que a data não é um ano a mais de vida, e sim, um ano a menos, uma vez que você estará se aproximando mais da morte. Essas pessoas geralmente não contam o aniversário para ninguém, vivem o dia como se fosse um outro qualquer, não fazendo nada de diferente. O que pensar, o que dizer? (Só para constar, minha tia não chegou aos 100, felizmente para ela).

Quando eu era criança, sempre gostei dos meus aniversários. Sempre. Não porque eu queria crescer, por estar ficando mais velho ou pela possibilidade de fazer diversas coisas que só a vida adulta proporcionaria. Mas ficava feliz com a data pois adorava a casa cheia de gente, de pessoas que se importavam comigo, de amigos e familiares que estavam ali só para me ver. Adorava principalmente os presentes, aquela quantidade enorme de brinquedos que você passava semanas e semanas para desvendar e descobrir como se brincava. Os enfeites, os balões, brincar com meus amigos. E no fim, aquela sensação de alegria pelo dia ter terminado e ter sido tudo tão bacana (não vamos esquecer dos salgado, que eram comidos no café da manhã no dia seguinte, pois salgado frio é sempre mais gostoso).

O tempo passa, nós crescemos, e tudo vai ficando sem graça, sem brilho. Os presentes vão diminuindo, as pessoas se ausentam, surgem apenas ligações ou mensagens. Você se torna tímido demais e passa a não gostar de receber parabéns. A pessoa te deseja parabéns, muitos anos de vida, felicidade, saúde, etc, e o que você pode dizer? "Obrigado, muito obrigado, obrigado", nada mais. Até mesmo no momento do canto de parabéns você fica sem graça, porque existe coisa mais vergonhosa do que ficar em frente ao bolo e ser o centro das atenções? Todas as pessoas batem palmas, mas você não sabe se bate palma ou não, daí fica com as mãos caídas ao lado do corpo, inúteis. E isso só pra citar algumas coisas.

Já faz alguns anos que eu desejo fugir do meu aniversário. Pegar o primeiro ônibus para o primeiro lugar que aparecer, fugir para algum lugar qualquer, desligar o celular e não escutar nada e nem ninguém. Curtir o aniversário do jeito que eu gosto: sem parabéns, sem me sentir mal, sem falação. Aí é que eu estava enganado.

O que eu fui perceber esse ano é que não importa: um aniversário será especial de acordo com as pessoas que você estiver junto. Você pode estar na Torre Eiffel, pulando de paraquedas ou escalando o Everest para comemorar a data. O importante é se você está sozinho ou não. Você pode estar no grupo dos que acham que o aniversário é um ano a mais, ou dos que acham que é um ano a menos. Não importa, cada um tem uma opinião. O fato é que seu aniversário vai depender de quem estiver junto com você.

Um breve relato do aniversário de Mateus Calazans de 21 anos, em 2015, parte ruim: não contei para ninguém que era meu aniversário no meu trabalho, e passei todo o horário de serviço totalmente em liso. Se as pessoas soubessem, eu estaria naquela aura "aniversariante", e como não adorar este fato? Fui embora, peguei o ônibus e fui em um shopping no meio do caminho. Almocei sozinho, fui para o cinema sozinho. O filme era bom, mas não havia ninguém para comentar sobre ele. Perdi várias ligações por estar no cinema, várias mensagens por ter desligado a internet, e me senti muito mal por isso.

Parte boa: Depois do shopping, fui direto para a faculdade. Chegar e escutar o parabéns das pessoas que gosto não tem preço. Ligar a internet e ver uma porrada de mensagens das pessoas falando que você é especial, que gostam de você. E o melhor: ir para o bar com as pessoas que você quer, com quem você se sente especial. Você percebe que faz parte de algo, que quer ter dezenas e dezenas de outros aniversários pela frente para estar junto com essas pessoas. Simples assim.

O melhor é que um aniversário não é apenas no dia. Pelo menos, não quando você está fazendo 21 anos. O aniversário começa no primeiro dia da semana, quando uma de suas melhores amigas também faz aniversário, e você vai até o bar com ela para comemorar. No dia seguinte, é o aniversário de outro amigo, e lá vai você em um grupo onde se sente bem. Um grupo novo, que você quer ter contato para sempre. E no terceiro dia é o seu aniversário e vem tudo o que eu já disse. Na quinta você dá um descanso, porque ninguém é de ferro. Na sexta, o grupo cresce e todos vão jogar sinuca, beber e ser feliz. Porque felicidade é a palavra certa, e se sentir parte de algo é a frase perfeita. E no sábado você vai à pizzaria com aquele amigo que não gosta de beber e preferiu não estar nas outras comemorações devido à bebida, mas que quis comemorar de algum jeito com você.

E então você percebe, em todos esses dias, em todas essas comemorações, no meio de cervejas, sorrisos, conversas e tudo mais, que um aniversário não depende apenas de você, mas de quem está por perto. Porque fazer aniversário todos fazem, isso não há escolha. Mas cabe a você comemorar da sua maneira e se sentir especial, e você só vai se sentir especial com as pessoas que estiver a sua volta. Não adianta fugir. Ou melhor, fugir só piora tudo.

E o que quero dizer com todo esse monólogo monótono e sem sentido, é que o Mateus Calazans, ao fazer 21 anos, foi um dos mais felizes dos últimos tempos. Talvez os 21 seja a última data que você comemora, porque depois disso, é só idade ruim. Como diz minha mãe, quando passa os 20, daqui a pouco você chega aos 30, aos 40, e aí você começa a descer a ladeira. Eu não sei onde estarei daqui há 10 anos, quem dirá em 20. O que sei é quero fazer meus aniversários os melhores possíveis, e ter as pessoas que gosto por perto. Porque é isso que me faz sentir especial. Sempre.

O fio vermelho do destino

Na tarde daquele dia o ônibus estava lotado, assim como em todos os outros dias da semana. As pessoas eram quase esmagadas contra as janelas, segurando com força as barras de ferro para não serem arremessadas longe. Algumas delas estavam sentadas e carregavam bolsas e mochilas dos que estavam de pé, enquanto outras fingiam estar dormindo para não ceder lugar aos idosos que olhavam para os bancos com brilho nos olhos.

Eu estava sentado bem no fundo do ônibus, lendo meu livro como fazia sempre. Bastava apenas começar as primeiras palavras que esquecia de tudo o que havia em volta. Sem nenhum idoso por perto para que eu cedesse o lugar, e sem coragem para colocar no colo a mochila dos estranhos próximos, meus olhos não desviavam das páginas.

Até que dois garotos de uniforme escolar, com mochilas nas costas, subiram no ônibus e ficaram de pé bem ao meu lado. Estavam naquela idade da pré-adolescência em que pensam saber de tudo, entre os 14 ou 15 anos, mas que tudo o que possuem são coisas a aprender.

Um deles era alto, um pouco acima do peso, e conduzia uma conversava entusiasmada, falando sem parar. O outro era baixo e magro, se mostrando sorridente e repetindo, quase sempre no final das frases do colega, "pode crer". Era uma dupla no início da amizade, pois não apresentavam aquela familiaridade típica dos amigos de longa data. Mas pareciam ter acabado de sair da escola e estavam se conhecendo enquanto iam para casa.

- É estranho como a gente sempre vê alguém dentro do ônibus, e essa pessoa começa a fazer parte da nossa vida sem a gente perceber. Já reparou nisso?
- Pode crer. Quando eu pegava um ônibus pra ir pra minha escola antiga, tinha essa menina que eu via todos os dias. A gente sempre se olhava, mas nunca falei com ela.
- E por que vocês nunca se falaram?
- Não sei, acho que eu não tinha nada pra dizer. Mas eu ficava olhando pra ela, e se ela não aparecia, era como se alguma coisa faltasse no ônibus.

- O engraçado é quando estamos andando na rua e vemos uma pessoa que temos a sensação de já conhecer, mas não lembramos de onde. É bem capaz de termos nos visto dentro do ônibus e a gente nem lembrar. Imagina quantas pessoas esbarramos no ônibus a vida toda... São milhões!
- Pode crer.

- Existe essa história na mitologia chinesa que fala sobre as pessoas que são predestinadas. Você sabe que a mitologia chinesa é a mais foda, né?
- Pode crer.
- Pois é, aí essa lenda diz que quando as pessoas nascem, os deuses colocam um fio vermelho de lã amarrado no dedo de cada um, fazendo com que cada pessoa tenha uma alma gêmea que vai estar ligada pelo fio vermelho por toda a vida. Quanto mais feliz é a pessoa, mais curto é o fio e mais perto ela está da alma gêmea.
- E você acredita nisso?
- Olha só, eu não sei, mas pode ter uma certa verdade nessa lenda. Você acha que as pessoas começam a se gostar do nada? Ou que pessoas que ficam juntas a vida inteira fazem isso por mero acaso? Talvez estamos passando ao lado das nossas almas gêmeas todos os dias dentro do ônibus, só não percebemos porque não enxergamos o fio.

E assim os dois garotos continuaram a conversar sobre outros assuntos, logo depois falando de fantasmas e espíritos, talvez impelidos pelas lendas obscuras da mitologia chinesa. Gargalhavam de um jeito que apenas as crianças e adolescentes são capazes de fazer, e narravam histórias, atestando veracidade, de aparições e assombrações. Falsas ou verdadeiras, quem se importava? Eram dois colegas iniciando uma amizade, e bem provável que, no futuro, iriam se lembrar saudosistas dessas conversas dentro do ônibus após os estudos.

Já dizia o escritor Robert M. Pirsig, autor de Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas: "Vivemos participando, despercebidos, de alguns instantes da vida dos outros". Assim foi naquele dia, ouvindo a conversa dos dois garotos e me identificando com suas declarações juvenis. É uma pena tantas vidas passarem pelas nossas todos os dias, e nada podendo ser feito, mesmo que possamos nos sentir tão próximos. Bem, pelo menos é essa a sensação. Talvez fosse melhor começar a agir, do que esperar o fio vermelho de nossos dedos se tornar visível para encontrarmos a pessoa certa.

Distância e proximidade nas amizades virtuais

Existem aqueles momentos na vida em que você para e fica olhando pra trás, tudo o que você passou na vida e tudo pelo qual está passando. Posso parecer um velho falando, mas com a alma centenária que possuo, é algo um tanto normal em meus dias. Há pouco tempo lá estava eu imerso em melancolia e nostalgia, lembrando de meus amigos da internet. Essas pessoas simultaneamente amigas e desconhecidas, que tanto alegram meus dias, mas que também tanta tristeza deixam. As pessoas possuem suas próprias vidas, e elas sempre tendem a desaparecer. Mas é como diz o ditado: recordar é viver.

Tudo começou com o Skoob, a rede social para leitores que hoje, mais de seis anos depois de ter entrado pela primeira vez, é impossível pensar minha vida sem a sua existência. Uma rede social em que é possível criar sua própria estante virtual de livros, escrever resenhas, criar grupos e principalmente, conhecer pessoas com a mesma paixão pela leitura.



Com poucas semanas de uso, fiz minha primeira amizade, que veio comentar sobre um livro que eu havia detestado e feito uma resenha cheia de críticas. Conversa vai, conversa vem, fui conhecendo a paleontóloga do Rio Grande do Sul, que no futuro acabaria se tornando escritora e professora universitária. Foram muitas trocas de mensagens sobre livros, filmes, jogos, Plantas Vs. Zumbis, Farm Ville, cachorros e viagens. Posso dizer que a troca de mensagens se tornou um tanto rara no desenrolar dos anos, mas ainda assim é uma amizade que sempre terei grande consideração. A primeira amizade não dá pra esquecer.

Uma amiga de Campinas veio a me surpreender pouco tempo depois. Aparentando ter a minha idade, a garota foi a primeira com quem passei a conversar horas no finado MSN, e foi quem me deu grande força para que criasse esse blog. Inclusive, me ajudou a escolher o nome "Pensador Livre". Até o dia em que a garota some para nunca mais voltar. Quem me aparece é a mãe, cheia de medos, lamentações e tristezas, confessar que estava se passando pela filha para encontrar amizades virtuais, por se sentir fora de seu lugar na internet por ser mais velha. Quem sou eu para julgar? O importante é a mulher com coração jovem ter a coragem de falar a verdade. A vejo pouco atualmente, mas são boas lembranças.

Logo chega uma fascinante garota do interior de São Paulo, a primeira com quem troquei cartas e livros de presente, que sempre lia meus posts neste blog, que fez até mesmo uma homenagem de aniversário para mim em seu blog. Aquela que até mesmo ligou, em uma conversa que ficamos por mais de meia hora falando trivialidades, rindo de nossos sotaques e felizes demais por ouvir a voz um do outro. A garota começou a fazer faculdade, trabalhar, namorar, e nunca mais apareceu.

Duas amizades das mais importantes foram as que encontrei na pequena Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. Mãe e filha saídas de histórias de livros, impossíveis de acreditar que existem em carne e osso por se apresentarem como as amizades que sempre quis ter por perto, mas nunca pude ter. Foram dezenas de recados no Skoob, Orkut, Facebook, horas em madrugadas no MSN, mensagens no celular, até chegar aos correios com pilhas de cartas, livros, cadernos, filmes, colagens. Como as duas sempre viajavam com a família pelo mundo a fora, eu era apresentado ao mundo através das lembranças que mandavam. Em meio à palavras de apoio, conselhos, trocas de experiência, gostos e sonhos em comum, é triste dizer que as conversas foram diminuindo com o tempo, até sumir. Mas o carinho fica, sempre fica, e a esperança de um recomeço está sempre aqui.

Mas nem todos somem. Há a garota do interior de São Paulo, em uma cidade que pouco seria notada se ela não existisse. Acordar e dormir já não são os mesmos sem um bom dia e um boa noite seus. São conversas que saíram do Skoob, Orkut e Facebook, emails bestas só pra perguntar como vai a vida, para se tornarem constantes no Whatsapp, no dia a dia. Alguém com quem confiar, para dizer que a vida é bela, que ri quando sou pamonha, que me anima quando os dias são difíceis, alguém para ser louco em conjunto e ter um zoológico imaginário. Estão aí boas características: um coração gigante e aquela velha loucura que todos nós temos guardada por dentro.

Estas são algumas das amizades que fiz no Skoob ao longo dos anos. Gostaria de falar de todas, pois cada um é importante à sua maneira, mas isso seria quase impossível. Ainda assim, preciso citar a garota que não apenas é brilhante em seu curso de Medicina, mas uma atleta excepcional (ainda quero vê-la nas Olimpíadas); a garota de São Paulo que sempre indica boa música e que já combinamos de, um dia, abrir nosso local dos sonhos: um misto de livraria, café e boa música; aquele moço tão maneiro de conversar e quem me ajudou a fazer minha primeira compra de livros no site Estante Virtual; aquele jovem de Salvador que tanto curte Caetano Veloso; a jovem de Paranaguá que me encanta com suas mensagens no celular; o jovem carinha de Belém; a garota paranaense que me impressiona pelo gosto apurado e por ser tão fã de rock, que admiro mesmo longe por ser independente e ter um estilo próprio que pouca gente consegue ter na vida.

Existem também aqueles que, mesmo com a distância grande, o tempo curto e as conversas acontecendo apenas poucas vezes no ano, a amizade continua e é sempre a mesma. É o caso do jovem de Divinópolis que, no passado, um dia sem conversar com ele não era a mesma coisa, e com quem tanto aprendi sobre livros e filmes; a garota maluca do Paraná que ama teatro, e que ainda hei de conhecer; uma baiana que encantou e muito meus sábados passados; uma mãe de Natal que ensina o gosto pelos livros ao filho; uma médica paulista tão carinhosa, e tão amante das leituras, que também já imagino o mundo fantástico em que os filhos estão crescendo; a jovem de Salvador com quem é tão bom trocar recados gigantes; uma matemática paulista que tem um gosto tão parecido com o meu que assistir determinados filmes e séries não é a mesma coisa sem comentar com ela; a juíza do Mato Grosso do Sul com quem é tão legal conversar e discutir sobre a revista Mundo Estranho; e ainda há os parentes distantes: a maninha do Mato Grosso com quem é tão fácil desabafar, e o primo carioca que já é da família, de tanto que somos parecidos. Um dia ainda nos encontramos.

E não dá pra esquecer a garota que é muito jovem, mas parece gente grande, com quem tive o prazer de me encontrar e ir ao cinema. O cara com quem esbarrei em uma bienal do livro e foi uma surpresa fantástica, e essa sua amiga que está mais perto do que todos os outros, pisa nos mesmos lugares que eu, e com quem hei de sair e dar boas risadas algum dia, junto a um café e um bom livro.

E tantos, tantos outros com quem tive o prazer de conversar, conhecer, que fizeram parte da minha vida. De todas as idades, casados ou solteiros, de todos os cantos do Brasil. São aqueles que me fazem felizes, por me possibilitar a consciência de que pessoas como eu existem sim, só estão longe demais. Seria bom se estivessem mais perto. Seria bom se não tendessem sempre a desaparecer.

Mudanças

"Muita coisa mudou, mas nada aconteceu. Ou será o contrário? Muita coisa aconteceu, mas nada mudou." 
Frases que me chamam a atenção são constantes, e sempre gosto de guarda-las para alguma ocasião especial. Já frases que marcam meus pensamentos para nunca mais serem esquecidas, essas são as mais difíceis. A frase acima foi descoberta em alguma revista ou jornal anos atrás. Não lembro quem foi o autor da frase, nem muito menos o contexto em que ela foi escrita, mas me surpreende o quanto a frase continua fresca em minha memória, e a atualidade tremenda que ela possui por se aplicar a uma série de fatos em nossa vida cotidiana.

É engraçado quando paramos pra pensar na vida em um sentido mais amplo, como um livro aberto e fácil de ser visualizado. Percebemos uma série de mudanças no desenrolar dos anos (ou quem sabe, das páginas), mas sempre tendemos a achar que pouca coisa aconteceu. É aquela mania insistente que todos nós possuímos, de que se nossos grandes sonhos não são realizados, quer dizer que nada de fato aconteceu. Mas a vida é feita sobretudo e, principalmente, pelos pequenos detalhes e pelos ínfimos acontecimentos.

Mudar é difícil, muito difícil. Não digo mudar de casa, de emprego ou mudar a cor do cabelo. Digo mudar nosso jeito, nossa forma de agir, uma mudança que pode alterar nossa vida e o modo como as pessoas nos encaram. Enquanto a grande maioria está habituada a dizer que muita coisa mudou e nada aconteceu, o mais correto seria dizer que muita coisa aconteceu e pouco mudou. A maioria das pessoas não mudam, continuam as mesmas por uma infinidade de tempo, talvez esperando alguma ajuda para alcançar a mudança.

Hoje encontrei algo que escrevi em 2011, quando estava no último ano do ensino médio, sobre a primeira recuperação que tive na vida, em Matemática. Uma escrita rebuscada, de alguém que quer escrever e não consegue, e se contentava com meia página escrita. Já ficava feliz por saber que escrevia. Em minhas palavras:

"Sempre fui o CDF da sala, aquele de quem todo mundo cola e pega os cadernos emprestados. Sempre aceitei esse posto, pois realmente era o que eu era, mas nos últimos anos me cansei e tenho tentado fugir dele com todas as forças. E com essa recuperação, vejo que finalmente consegui."
 
Mateus de 16 anos, o Mateus de 20 anos afirma: seus pensamentos eram notáveis. Será que uma recuperação em Matemática poderia mudar alguma coisa? Recuperação era algo tão simplório, todos na sala sempre pegavam e nada mais era que um fato comum. Talvez algo tenha mudado, vai saber. Mas hoje eu me sinto o mesmo daquela época. Quem eu queria ser no passado, ou quem eu quero ser hoje? É algo que com certeza eu não sabia no ensino médio, e muito menos sei hoje em dia, já na faculdade.

Como o personagem Brick disse em The Middle, uma das minhas séries preferidas, em um episódio passado, existem dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que vivem o máximo da vida, e aquelas que leem sobre essas pessoas. Sempre me achei no segundo grupo, mas quem sabe não está em nossas mãos gerar uma mudança, e fazer com que algo aconteça? Mudanças e acontecimentos podem andar juntos, e não necessariamente separados.

Acho que a vida é muito complicada pra tentar ser entendida exatamente. Uma frase franca: sei pouco do que quero na vida. Estudo Jornalismo, comecei a fazer estágio na Band News de Belo Horizonte. Gosto de ler, de ver filmes e assistir séries. Fim. Fim? Busco sonhos, busco amigos, busco a felicidade. Busco escrever. Mas pouco sei a respeito de quem eu quero ser. Quero saber mudar, quero saber acontecer...

Uma dificuldade chamada decisão

Existe algo pior, e mais difícil na vida, do que tomar decisões? Pela atitude da maior parte das pessoas, a decisão parece ser sempre algo fácil e simples. Fazem escolhas rápidas demais, ponderam pelo lado mais leviano, escolhem caminhos aparentemente banais. Mas o que dizer de uma decisão que pode alterar uma vida, uma rotina, e ainda afetar as pessoas? O que dizer de uma escolha que pode mudar tanto nossa realidade que é melhor ser deixada para depois, depois, depois...? Nas pequenas e nas grandes decisões, a dificuldade parece sempre existir, estando em prova apenas quem sabe fingir melhor.

É difícil escolher o que comer no jantar, naqueles momentos em que sentimos que podemos comer de tudo, mas que acabamos não estando com vontade de comer nada; e é uma situação complicada para os amantes da leitura escolher apenas um livro para ler quando se tem uma estante cheia demais, mas um tempo ínfimo para leitura. Estas são as dificuldades pequenas. Por outro lado, é penoso escolher amizades, se decidir por amores, estabelecer quais trabalhos fazer e quais caminhos percorrer pela vida. Estas são as dificuldades extremas, e a lista é infinita. Para dizer o mínimo.

Grandes culpados pela maior parte das frustrações nas escolhas, e que passam impunes a maior parte do tempo, são os filmes hollywoodianos de comédia e romance que tanto assolam nossas vidas. Em sua grande maioria, os filmes possuem sempre cenários caóticos, personagens um tanto frustrados e desesperançosos, e uma vida que nunca é fácil. Até o momento em que recebem um choque de realidade, e passam a tomar decisões momentâneas por si próprios. Escolhas rápidas parecem ser sempre as melhores a ser tomadas, e o que surge é a paz, a felicidade e a solução dos problemas.


Tudo isso nada mais é do que uma grande ilusão. A vida nunca é tão fácil e simples em nossa realidade cotidiana, por mais que queiramos. Escolher algo errado por simples pressa ou impulso pode ocasionar a ruína de um império ou uma série de acidentes fatais. O que dirá as decisões extremas que podem alterar nossas vidas, nossa rotina, e nosso futuro. Então o que se deve fazer frente a toda essa dificuldade?

O que fazer é simples: mesmo se mostrando como algo difícil, é preciso escolher, decidir, optar por aquilo que é melhor para nós mesmos. Não ter o sim como resposta pronta para todas as questões, nem tomar decisões em apenas um segundo. Ver as pessoas sofrerem a partir de nossas decisões pode ser a coisa mais terrível do mundo, mas mais terrível do que isso, é ver nosso mundo passando por nossos olhos sem que as coisas estejam do jeito que gostaríamos que estivessem. É preciso ponderar, pensar e escolher. É preciso sentir e fazer. É ter a coragem para executar nossos atos e saber sofrer as consequência.

As melhores coisas do mundo... para Mateus Calazans

A melhor coisa do mundo é, em tardes frias de inverno, enrolado em um cobertor e com uma xícara de leite quente, ler um bom livro ou assistir a um grande filme. Nessas horas, quando o tempo se mostra mais instável, precisamos nos sentir em outros lugares. Lugares mais quentes, mais chamativos, com algo a mais para se fazer. Pois nos livros e nos filmes encontramos o que queremos, "as orelhas esquentam, os cabelos caem sobre o rosto, esquecemos tudo o que nos rodeia e nem mais nos damos conta se estamos com fome ou com frio". Apenas a história e o lugar mágico para onde vamos é o que importa.

A melhor coisa do mundo é rir com os amigos, pois ao lado deles, nada mais importa. Os fatos mais sérios se tornam motivo de risada, e os mais absurdos não precisam ser mencionados. Com apenas um olhar, o riso logo vem aos lábios e dificilmente vai embora. Rir, rir, rir: essa é a palavra. Rir e esquecer tudo o que nos cerca. Rir até não poder mais. Rir e aproveitar cada minuto do riso, pois a qualquer momento os amigos podem ir embora e sabe-se lá se momentos como esse irão se repetir.

A melhor coisa do mundo é fazer planos com alguém. Seja com um amigo, com a pessoa amada, com um familiar. Porque os planos são o começo de algo, e os grandes feitos sempre começam com um pequeno planejamento. Pode ser algo louco e tresloucado no início, mas que logo depois se torna um fato firme e consistente. E se não der certo, quem se importa? O que vale são os momentos de planejamento. Às vezes, o que passamos na hora de planejar se mostra mais instrutivo do que o resultado, que pode vir a acontecer ou não.

A melhor coisa do mundo é sonhar. Sonhar, que não custa nada, que é de graça e que enche a barriga. Na verdade, não só a barriga, mas também a mente e o coração. Sonhar que somos pessoas diferentes, que podemos fazer o inimaginável. Sonhar que tudo é possível, que este blog vai fazer sucesso e que vários comentários vão surgir. Mas de preferência, sonhe junto a alguém. Porque quando se sonha sozinho, é apenas um sonho. Mas quando sonhamos juntos, é o começo da realidade.

Estas são algumas das coisas que considero "as melhores coisas do mundo". Mas o mundo é vasto, o mundo é grande. A cada dia de nossas vidas, podemos conhecer algo novo, algo melhor. Por isso, a busca pelas melhores coisas do mundo é algo que nunca irá acabar. É algo apenas para se começar..

Copa do Mundo

Hoje é a grande estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2010. O país todo para, o comércio fecha, toda a população fica grudada na frente da televisão. É o ponto ápice do ano, um momento aguardado com muita ansiedade. Fanáticos por futebol estão vidrados, e até quem não é também está.

Sinceramente, não gosto nem um pouco de futebol. Desde criança não tenho nenhuma afinidade pelo esporte que é a paixão de quase todos os brasileiros. Cresci cercado pelos jogos, mas mesmo assim, sempre estive indiferente a eles. Com a Copa do mundo a coisa é um pouco diferente. Todos se mobilizando por um mesmo time é uma ação contagiante, e mesmo não gostando de futebol, quando era criança sempre gostei de acompanhar tudo. Mas agora, já crescido, me pergunto: por que é que a Copa mobiliza tanta gente?

Muitos podem me achar antipatriota, mas no momento não estou morrendo de amores pelo Brasil e não tenho nenhuma vontade de acompanhar os jogos. O que é que eu ganho exatamente com isso? Absolutamente nada. Acho essa mobilização o cúmulo da hipocrisia. Durante o ano todo, brasileiros reclamam do país sem parar. Reclamam da fome, do desemprego, da corrupção. O nome do país é jogado na sarjeta. Mas quando chega a Copa, bandeirinhas verde e amarelas são espalhadas por todos os lados, e os elogios ao país vão só aumentando. Todos se deliciam em gritar "BRASIL!" o tempo todo.

Ser patriota é torcer e acreditar no seu país durante todo o ano, e não apenas de quatro em quatro anos. É gritar "BRASIL!" não apenas durante um jogo, e se alegrar pelo lugar em que se está vivendo. Não sou contra a Copa, só penso que as pessoas deveriam se importar e acreditar mais no Brasil não apenas durante essa época, mas durante todo o ano. Escrevam o que eu digo: agora, com a Copa, o Brasil é o melhor país do mundo. Mas quando chegarem as eleições, aí é que a coisa vai ficar preta. O nome do país vai voltar para o lixo.